segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Albert Camus



(Breve Biografia retirada da obra "A Queda")

"Cresci, como todos os homens de minha idade, ao rufo dos tambores da Primeira Guerra Mundial, e a nossa história, desde então, não cessou de ser assassínio, injustiça ou violência." Para Albert Camus, a revelação do absurdo da condição humana forneceu o tema central de sua obra.
Nascido a 7 de novembro de 1913, em Mongovi, Argélia, Camus perdeu seu pai na Primeira Guerra Mundial. Logo em seguida, a família mudou-se para Argel e mesmo vivendo na mais extrema pobreza, o jovem Albertt conseguiu forma-se em letras, graças a uma bolsa de estudos. Marcado pela tuberculose, trabalhou como funcionário público, vendedor de automóveis e meteorologista.
Aos vinte e um anos divorcia-se e, em 1937, publica sua primeira obra, "O Avesso e o Direito". Afasta-se do Partido Comunista, ao qual se vinculara de 1934 a 1935. No jornal "Algérie Républicaine", publica seus primeiros artigos. Em 1938, lança "Núpcias", livro de ensaios. É um período de intensa atividade, dedicado também à paixão pelo teatro. Funda o grupo teatral A Equipe e escreve "Caligula" (1938), uma de suas peças mais famosas.
Os problemas com a censura argelina obrigam-no a viajar para a França, onde se torna secretário de redação do jornal "Paris Soir". Casado pela segunda vez, termina seu primeiro romance, "O Estrangeiro". Com a ocupação de Paris pelos nazistas, transfere-se para Lyon, Nessa época, o sucesso de "O Estrangeiro", do ensaio "O Mito de Sísifo" e a edição clandestina de "Cartas a um Amigo Alemão" proporcionam ao escritor sólido prestígio.
No jornal "Combat", participa ativamente da resistência dos intelectuais franceses à invasão nazista. Em 1944, a montagem da peça "O Mal Entendido" não obtém sucesso, mas a reapresentação de "Calígula", no ano seguinte, alcança enorme repercussão.
Com o fim da guerra, uma nova fase da carreira do escritor vai começar. Camus discorda da nova orientação política do "Combat" e decide afastar-se do jornalismo. Em 1951, publica o romance "A Peste" e o ensaio "O Homem Revoltado", em que critica os regimes comunistas totalitários e a filosofia marxista. Esse livro provoca uma ruidosa polêmica e marca sua ruptura com escritores a quem sempre estivera ligado, como Jean-Paul Sartre.
Fiel à busca de justiça, liberdade e do sentido de responsabilidade individual, o autor prossegue sua obra, Em "A Queda" (1956), através das confissões de um advogado, sonda a alienação do homem face aos pequenos atos do dia-a-dia. Em 1957, recebe o prêmio Nobel pela coerência de sua obra e pela independência de seu pensamento. A 4 de janeiro de 1960, o escritor morre em acidente de automóvel, perto de Paris.
Camus manteve sempre distância suficiente para analisar o absurdo e afirmar a necessidade de superá-lo pela revolta e pela consciência. Seu humanismo contêm uma dimensão heroica e surge do confronto com as situações limites da condição humana.


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

AS ÂNCORAS

                        Pablo Neruda


Desde a eternidade navegantes invisíveis me vêm levando através de atmosferas estranhas, sulcando mares desconhecidos. O espaço profundo tem cobiçado minhas viagens que nunca terminam. Minha quilha quebrou a massa móvel de icebergs luminosos que intentavam cobrir as estradas com seus corpos poeirentos. Depois naveguei por mares de bruma que estendiam suas névoas entre outros astros mais claros do que a terra. Depois por mares brancos, por mares rubros que tingiram o meu casco com suas cores e suas brumas. Cruzamos às vezes a atmosfera pura, uma atmosfera densa e luminosa que empapou meu velame e o fez fulgente como o sol. Por longo tempo nos detínhamos em países tiranizados pela água e pelo vento. E um dia - sempre inesperado - meus navegantes invisíveis levantavam minhas âncoras e o vento enfunava minhas velas fulgurantes. E era outra vez o infinito sem caminhos, as atmosferas astrais abertas sobre planícies imensamente solitárias.
Cheguei à terra, ancoraram-me num mar, o mais verde, sob um céu azul que eu não conhecia. Acostumadas ao beijo verde das ondas, minhas âncoras descansam sobre a areia de ouro do fundo do mar, brincando com a flora torcida de sua profundida, apoiando as brancas sereias que nos longos dias vêm nelas cavalgar. 
Meus altos e retos mastros são amigos do sol e da lua e do ar perfumado que os penetra. Pássaros que nunca viram detêm-se neles e depois num vôo de flechas riscam o céu afastando-se para sempre. Eu comecei a amar este céu, este mar. Comecei a amar estes homens ... Mas um dia, o mais inesperado, chegarão meus navegantes invisíveis. Levantarão minhas âncoras arborizadas nas algas da água profunda, enfunarão minhas velas fulgurantes ...
E será outra vez o infinito sem caminhos, os mares rubros e brancos que se estendem entre outros astros eternamente solitários ...


sábado, 21 de julho de 2012

"Rebeldia nostálgica não ... "



Titãs
Data - 21 de julho
Horário - 21:30 (abertura da casa)
Local - Curitiba Master Hall

Guia Curitiba Apresenta
Fundação Cultural de Curitiba
Texto - Karen Monteiro
Colaboração - Edson Liberato

"Rebeldia nostálgica não ..."

Resposta bem-humorada do guitarrista dos Titãs, Tony Belotto, ao Guia Curitiba Apresenta, sobre o perfil do público no show comemorativo do disco "Cabeça Dinossauro", que a banda tem feito pelo Brasil e que acontece em Curitiba no dia 21 de julho, às 21:30, no Curitiba Master Hall. "Temos feito o show 'Cabeça Dinossauro' e tem sido glorioso. Nosso público sempre foi muito crítico e questionador. Os públicos daquela época e o atual são muito parecidos. Talvez o atual esteja um pouco mais grisalho, mas como já não enxergo muito bem, pode ser só uma impressão".

Um pouco antes do estrondoso sucesso da banda, que este ano completa 30 anos e que explodiu justamente com "Cabeça Dinossauro", em 1986, as preocupações dos integrantes eram as mesmas dos músicos das bandas que ainda não tinham decolado. Nando Reis já com dois filhos, no inicio da formação, ainda durante a ditadura, se perguntava se não seria melhor tocar numa banda de baile, sem imaginar que o disco, até hoje apontado como um dos mais importantes da história do rock brasileiro, alçaria os Titãs aos palcos mais importantes do país.

"Na época em que foi lançado, havia a cena de uma juventude buscando liberdade, buscando se expressar, o que ficava difícil até 1984. É bom lembrar que até 1988 ainda existia censura. A música 'Bichos Escrotos' tinha palavrão no meio, tinha o piii para esconder a palavra ...", lembra Edson Liberato Dias, professor universitário, comentarista de rádio e historiador apaixonado por música. Edson é da geração que saiu da infância e entrou na adolescência vendo o rock nacional tomar conta dos espaços musicais do país. "Vi surgirem alguns dos discos mais importantes da história nacional do rock. Foi um boom. Naquela época da euforia de consumo do Plano Cruzado vendia-se muito disco. Faltava vinil no mercado para a produção", lembra Edson.

"Cabeça Dinossauro" foi um disco gravado depois de um período nebuloso da carreira, quando Arnaldo Antunes e Tony Belotto tinham sido presos por porte de drogas, o que ocasionou, além de shows cancelados, "desilusão generalizada e um tremendo baixo-astral", segundo Tony Belotto. Num texto escrito para blog, o compositor que se tornaria escritor, continua: "o disco nasceu dessa raiva, mas também de um aprimoramento estético, em que já estávamos trabalhando havia algum tempo, produzindo canções com letras diretas e objetivas ...".

Com o disco, a postura da banda acabou sendo mais fácil de identificar. O lado agressivo, o rok pesado, continuaria a ser explorado com "Jesus não tem Dentes no País dos Banguelas" (1987). No lançamento do disco para a imprensa, o texto que circulou levava uma assinatura especial: a do poeta Paulo Lemniski, na época grande admirador da banda. A poesia concreta aproximaria o paranaense do sempre Titã (apesar da consolidada carreira solo) Arnaldo Antunes. O poeta deixou sua marca em canções como "Família", "Polícia", "Homem Primata", "Igreja" e outras do "Cabeça Dinossauro", influenciadas principalmente pelo punk rock, mas com pitadas de reggae e funk, que se tornaram hinos da rebeldia e da indignação de toda uma geração e que agora voltam à cena. E isso não é nostalgia, garantem os Titãs nas entrevistas pelo Brasil afora. Tudo, afirmam, continua muito atual e ainda diz respeito a todos nós.

domingo, 15 de julho de 2012

"Todo Repúdio"

O texto de abertura do livro "PunK: anarquia planetária e a cena brasileira" de Silvio Essinger, é o colocado abaixo:

Todo Repúdio


Ao Sistema injusto, à fome, à miséria, à falsidade, à mediocridade, à falta de humor, à exploração do homem pelo homem, aos que matam crianças, aos neonazistas e fascistas em geral, à hipocrisia, aos burocratas, à dança da bundinha, aos que exploram as desgraças do povo na TV, à Lei de Gerson, aos que vendem o Brasil, aos cheios de si, aos que batem em mulheres, aos que escravizam pela droga, aos maus patrões, aos monopólios, aos que deixam perpetuar a ignorância, aos fomentadores de intriga, à programação dominical de TV, aos que furam fila, à ganância, ao Star System, aos que vivem reclamando da vida e não fazem nada para mudá-la.

sábado, 14 de julho de 2012

Punks

Programa sobre os Punks na Transamérica Light (95,1), no programa Light News.
Eu, Maria Rafart, Deborah Fertonani e Clóvis Gruner.

Parte I - dia 25/06/2012
http://twitcam.livestream.com/anezc 

Parte II - dia  09/07/2012
http://twitcam.livestream.com/aw35j 




Manifesto Punk
Escrito por Clemente, vocalista e guitarrista do Inocentes.
Publicado em agosto de 1982, na revista "Gallery Around".

Nós, os punks, estamos movimentando a periferia - que foi traída e esquecida pelo estrelismo dos astros da MPB. Movimentando a periferia, mas não como Sandra Sá, que agora faz sucesso com uma canção racista e com uma outra que apenas convida o pessoal para dançar: ou, na verdade, o convida para a alienação. Nos nossos shows de punk rock, todos dançam; dançam a dança da guerra, um hino de ódio e revolta da classe menos privilegiada. Já Guilherme Arantes diz que é feliz, mesmo havendo uma crise lá fora, porque não foi ele quem a fez;nós também não fizemos esta crise, mas somos suas principais vitimas, suas vitimas constantes - e ele não. Nossos astros da MPB estão cada vez mais velhos e cansados, e os novos astros que surgem apenas repetem tudo o que já foi feito, tornando a música popular uma música massificante e chata. Mesmo assim, eles ainda consegue fazer o povo chorar. Não sei como, cantando a miséria do jeito que eles a vêem, do alto, mas que não sentem na carne, como nós. E também choram de alegria, quando cantam o dinheiro que ganham. Nós, os punks, somos uma nova face da música popular brasileira, com nossa música não damos a ninguém uma ideia de falsa liberdade. Relatamos a verdade sem disfarces, não queremos enganar ninguém. Procuramos algo que a MPB já não tem mais e que ficou perdido nos antigos festivais da Record e que nunca mais poderá ser revivido por nenhuma produção da Rede Globo de Televisão. Nós estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, para dizer a verdade sem disfarces ( e não tomar bela a imunda realidade): para pintar de negro a asa branca, atrasar o trem das onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer.

Essa é a primeira música do Inocentes que se torna mais conhecida.



quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Casa de Astérion

Texto: Jorge Luis Borges

E a rainha deu à luz um filho que se chamou Astérion.
Apolodoro, Biblioteca, III, I.

Sei que me acusam de soberba, talvez de misantropia e talvez de loucura. Tais acusações (que eu castigarei no devido tempo) são irrisórias. É verdade que não saio de minha casa, mas também é verdade que suas portas (cujo número é infinito *o original diz catorze, mas sobram motivos para inferir que, na boca de Astérion, esse numeral equivale a infinitos) estão abertas dia e noite para os homens e também para os animais. Que entre quem quiser. Não encontrará aqui pompas de mulher nem o bizarro aparato dos palácios, mas sim a quietude e a solidão. Encontrará igualmente uma casa como não há outra na face da Terra. (Mentem os que afirmam que no Egito há uma parecida.) Até meus detratores admitem que não há um único móvel na casa. Outro caso ridículo é que eu, Astérion, sou um prisioneiro. Devo repetir que não ha nenhuma porta fechada, devo acrescentar que não há fechadura? Além do mais, certo entardecer fui para a rua; se voltei antes de escurecer, foi pelo medo que me infundiram os rostos da plebe, rostos desbotados e achatados, semelhantes à mão aberta. O sol já tinha se posto, mas o choro desvalido de um menino e as toscas lamúrias da multidão disseram que haviam me reconhecido. O povo rezava, fugia, prosternava-se; alguns se encarapitavam no estilóbato do templo dos Machados, outros juntavam pedras. Um deles, creio, escondeu-se no mar. Não em vão foi minha mãe rainha; não posso me confundir com o vulgo, embora minha modéstia deseje.
O fato é que sou único. Não me interessa o que um homem possa transmitir aos demais; como o filósofo, penso que nada é comunicável pela arte da escrita. As minúcias desagradáveis e banais não têm cabida em meu espírito, que está preparado para o grande; jamais retive a diferença entre uma letra e outra. Certa impaciência generosa não permitiu que eu aprendesse a ler. Às vezes lamento, porque as noites e os dias são compridos.
Claro que não faltam distrações. Feito o carneiro que vai investir, corro pelas galerias de pedra até rolar pelo chão, zonzo. Eu me agacho à sombra de uma cisterna ou na curva de um corredor e brinco de esconder. Há terraços de que me deixo cair, até me ensanguentar. A toda hora posso brincar de fingir que durmo, com os olhos fechados e a respiração forte. (Às vezes adormeço realmente, às vezes já mudou a cor do dia quando abro os olhos.) Mas de tantas brincadeiras a que prefiro é a do outro Astérion. Finjo que ele vem me visitar e que lhe mostro a casa. Com grande reverência digo-lhe: "Agora voltamos à encruzilhada anterior" ou "Agora desembocamos noutro pátio" ou "Bem dizia eu que você gostaria da canaleta" ou "Agora você vai ver uma cisterna que se encheu de areia" ou "Já vai ver como o porão se bifurca". Às vezes me engano e ficamos rindo com muito gosto.
Não imaginei apenas essas brincadeiras; também meditei sobre a casa. Todas as partes da casa se repetem muitas vezes; todo lugar é outro lugar. Não há uma cisterna, um pátio, um bebedouro, uma manjedoura; são catorze [são infinitos] as manjedouras, bebedouros, pátios, cisternas. A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo. Contudo, de tanto exaurir pátios com uma cisterna e poeirentas galerias de pedra cinza, cheguei à rua e vi o templo dos Machados e o mar. Isso não entendi, até que uma visão da noite me revelou que também são catorze [são infinitos] os mares e os templos. Tudo se repete muitas vezes, catorze vezes, mas há duas coisas no mundo que parecem existir uma única vez: em cima, o intrincado sol; embaixo, Astérion. Talvez eu tenha criado as estrelas e o sol e a casa enorme, mas já não me lembro.
A cada nove anos entram na casa nove homens para que eu os livre de todo mal. Ouço seus passos ou sua voz no fundo das galerias de pedra e corro alegremente a seu encontro. A cerimônia dura poucos minutos. Cai um depois do outro sem que eu ensanguente as mãos. Onde caem, ficam, e os cadáveres ajudam a diferenciar uma galeria das outras. Ignoro quem sejam, mas eu sei que um deles profetizou, na hora da morte, que um dia chegaria meu redentor. Desde aquele momento não sofro com a solidão, porque sei que meu redentor existe e no fim se levantará do pó. Se meu ouvido alcançasse todos os ruídos do mundo, eu perceberia seus passos. Oxalá me leve para um lugar com menos galerias e menos portas. Como será meu redentor?, pergunto-me. Será  um touro ou um homem? Será talvez um touro com rosto de homem? Ou será como eu? 
O sol da manhã reverberou na espada de bronze. Já não restava um só vestígio de sangue.
- Será que acreditarás, Ariadne? - disse Teseu. - O minotauro mal chegou a se defender.

sábado, 23 de junho de 2012

Maybe I'm Amazed



Após a separação dos Beatles, Paul McCartney lançou, em 1970, o álbum "McCartney" que tinha a penúltima faixa do lado B a música "Maybe I'm Amazed". Essa música foi o primeiro sucesso de Paul, após os Beatles.

Maybe I'm Amazed - http://www.youtube.com/watch?v=cm2YyVZBL8U

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Helter Skelter

 

Paul McCartney é bastante lembrado por suas baladas românticas. Na época dos Beatles, ele era visto como o bom moço, enquanto John Lennon era o roqueiro rebelde, George era um cara na dele e Ringo o mais bem humorado. O curioso é pensar que a música mais pesada da banda foi composta por Paul, Helter Skelter, considerada por muitos o primeiro hard rock da história. A inspiração foi uma crítica do jornalista Chris Welch, no Melody Maker, sobre a música "I Can See For Miles" do The Who, que destacava o quanto a música era pesada. Paul escutou a música e não concordou com Welch, resolveu mostrar a sua versão para o que ele considerava uma música pesada. 

A música compõem uma das faixas do Álbum Branco dos Beatles, de 1968. Helter Skelter é sobre um brinquedo de um parque de diversões, denominação bastante conhecida na Inglaterra.


Charles Manson foi um criminoso que justificou assassinatos hediondos graças as interpretações absurdas que fez de músicas dos Beatles, principalmente Helter Skelter. Manson saiu da cadeia, em 1967, e formou uma comunidade Hippie com jovens que tentavam se aventurar longe de suas famílias, mas não conseguiam se sustentar. Manson acolheu esses jovens e passou a explicar para eles, que o mundo estava prestes a enfrentar uma "guerra racial" entre os brancos e os negros e que ele tinha a missão de tentar salvar  a raça branca da extinção, criando um poço gigantesco no deserto da Califórnia, onde essa comunidade, conhecida como "família Manson", ficaria abrigada até terminar o conflito. Charles Manson tirou essas idéias das letras das músicas dos Beatles

Dois episódios de assassinatos que aconteceram em Los Angeles, em 1969, chocou os Estados Unidos. A "família Manson" passou a cometer roubos e assaltos, influenciada pelo seu líder, Charles Manson, sem que ele estivesse presente nos crimes. Os jovens seguidores de Manson estiveram no período da tarde de 9 de agosto na casa de Sharon Tate, modelo e esposa, grávida de 8 meses, do diretor de cinema Roman Polanski, que estava na Europa participando de um festival de cinema. Eles pediram alguma coisa para comer e beber, e foram bem atendidos. A noite Sharon recebia dois casais de amigos para um jantar quando teve novamente a visita da "família Manson" que os espancou, esfaqueou e baleou, e escreveram com o sangue das vítimas nas paredes da casa nome das músicas dos Beatles. Na noite seguinte a "família Manson" invadiu a residência do casal Rosemary e Leno LaBianca, cometendo a mesma atrocidade.

Charles Mansons e vários dos integrantes do seu grupo responderam a processo e foram presos. O julgamento foi o mais longo da História dos tribunais norte-americanos até aquela data. As interpretações e a eloquência de Manson deixou todos boquiabertos. 

A música Helter Skelter também foi gravada pelo U2, Ian Gillan, Möttley Crüe, Aerosmith, Siouxsei & The Banshees e Stereophonics. Abaixo a versão original dos Beatles, composta por Paul McCartney:






quinta-feira, 21 de junho de 2012

A morte de Paul McCartney



Texto: Bob Spitz

Na  sexta-feira, 10 de outubro de 1969, Russ Gibb, locutor de uma rádio de Detroit, a WKNR FM, deixou os ouvintes atônitos ao dar a notícia de que Paul estava morto. Na verdade, ele estava morto havia alguns anos, insistiu Gibb, desde novembro de 1966, quando, "às 5 horas de uma manhã chuvosa [ ... Paul ] estava passeando em seu Aston-Martin; o carro bateu e o beatle morreu". Como ele sabia disso? Gibb havia chegado a essa incrível conclusão depois de ler a crítica de "Abbey Road" feita por um aluno da Universidade de Michigan, chamado Fred LaBour, que apresentava indícios bastante complexos, os quais seriam a prova de que Paul havia morrido e fora substituído por um dublê. A capa de "Abbey Road", por si só, já era fonte de numerosas evidências: Ringo está vestido com roupa de agente funerário, enquanto Paul caminha atrás dele - descalço, como o corpo é preparado para o enterro na Itália. É verdade, a foto propriamente dita lembra uma procissão funerária. A placa do Volkswagen era outro sinal: 28 IF, sugerindo que Paul teria 28 anos se estivesse vivo. (O fato de a placa ser, na verdade 281 F não foi o bastante para contrariar a teoria conspiratória.) Havia mais. Na foto da contracapa de "Magical Mystery Tour", Paul está de cravo preto na lapela, enquanto John, George e Ringo usam cravos vermelhos; na capa, Paul está vestido com fantasia preta, ao passo que os outros estão de branco; dentro do álbum, uma foto mostra Paul, vestido de soldado, atrás de uma placa que diz "I Was You". Esse fato em especial convenceu Gibb, que se lembrou de um concurso de sósias de Paul McCartney realizado dois anos antes, no qual um concorrente chamado William Campbell foi escolhido vencedor. Sem dúvida, com uma pequena cirurgia plástica e um pouco de maquiagem, estava montada a fraude.

O anúncio de Gibb deu início a uma série de boatos que varreram o país. Todas as estações de rádio comerciais, complementadas por um exército de locutores de rádios universitárias audaciosos, acreditaram na história, colocando centenas de milhares de fãs confusos na busca de pistas nos discos dos Beatles. Como se fossem necessárias mais evidências, havia muitas a serem encontradas nos sulcos das faixas. Por exemplo, se "Strawberry Fields Forever" fosse tocada em 45 RPM em vez de 33 1/3, algumas pessoas juravam que John cantava "I burried Paul" (Eu enterrei Paul). No "Álbum Branco", se o repetitivo "number nine, number nine" fosse tocado de trás para a frente, elas ouviam uma voz que dizia "Turn me on, dead man, turn me on" (me ligue, homem morto, me ligue).Outras pessoas, ao ouvir "Revolution Nº 9" ao contrário, identificaram o som de um horrível acidente de trânsito (embora o mesmo pudesse ser dito dessa faixa quando ouvida normalmente), com uma voz que gritava "Get me out, get me out!" (Tire-me daqui, tire-me daqui!). E havia outras coisas mais, baseadas na audição ao contrário das gravações em estéreo: "He hit a pole! We better get him to see a surgeon. (Um grito.) So anyhow, be went to see a dentist instead. They gave him a pair of teeth that weren't any good at all so. (Som de buzina de carro) (Ele bateu em um poste! É melhor levá-lo a um cirurgião [...] No final, em vez disso, ele acabou indo ao dentista. Eles deram a ele uns dentes que não ficaram nada bons). Um locutor da WNEW FM de Nova York descobriu uma coisa no sulco do disco, entre "I'm So Tired" e "Blackbird"; quando a gravação era tocada ao contrário, ouvia-se John dizer : Paul is dead. Miss him. Miss him. Miss him ( Paul está morto. Sinto falta dele).

Paul está morto. A frase se tornou um refrão tão familiar quanto qualquer música de "Abbey Road". Os apresentadores da tevê martelaram o assunto, da mesma forma que os principais jornais. Paul está morto. E vendeu muitos discos, apesar das negativas veementes do próprio falecido. "Estou vivo e estou bem, e preocupado com os boatos sobre minha morte", ele disse à Associated Press, em pé, cheio de vida, na porta de sua casa, dez dias após a divulgação da notícia. "Mas, se eu estivesse morto, seria o último a saber." As vendas dos discos dos Beatles também dispararam, com "milhões de jovens fãs de olhos e ouvidos atentos aos sinais do suposto falecimento de Paul [...] nas capas e nos sulcos dos discos." Sgt. Pepper's ressurgiu no 124º lugar nas paradas americanas, com Magical Mystery Tour logo atrás, em 146º. E Abbey Road continuava a superar todos os concorrentes do momento em um milhão de unidades vendidas.

Embora "Paul está morto" estivesse dando aos Beatles todos os tipos de compensações financeiras, o tema em questão logo se transformou numa "grande chateação". Ele não podia ir a lugar nenhum ou fazer coisa alguma sem que um bisbilhoteiro criasse alguma confusão. "Será que você pode difundir a notícia de que sou apenas uma pessoa normal e quero viver em paz?", ele pediu ao correspondente da LIFE, que o localizou em carne e osso na sua fazenda na Escócia. "Que fique registrado: Paul não está morto."

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Os pais de Paul McCartney

Música de Paul McCartney que fala sobre família.
Let' em in - Ao Vivo no Rio de Janeiro, em 2011.
http://www.youtube.com/watch?v=75oycvjFIDM

A mãe de Paul McCartney, Mary Patricia.

Texto: Luiz Antonio da Silva


Paul nasceu James Paul McCartney, no dia 18 de junho de 1942, numa enfermaria particular do Walton Hospital em Liverpool, o único Beatle a nascer em tal ambiente luxuoso. Sua família era uma família comum da classe média. Isso foi no ponto culminante da guerra. Paul chegou em grande gala, porque sua mãe, durante uma certa época, havia sido irmã encarregada da enfermaria da maternidade. Deram-lhe um tratamento de estrela quando ela voltou para ter Paul, seu primeiro filho.

Sua mãe, Mary Patricia, abandonara o trabalho no hospital fazia apenas um ano, quando casou com seu pai, tornando-se health visitor (misto de enfermeira e assistente social). Seu nome de solteira era Mohin e, como o marido, era de descendência irlandesa.

Jim McCartney, o pai de Paul, começou a trabalhar aos quatorze anos como garoto de amostras em A. Hannay and Co., corretores e comerciantes de algodão em Chapel Street, Liverpool. Ao contrário da esposa, ele não era católico. Sempre se classificou como agnóstico. Jim nasceu em 1902, numa família de três irmãos e quatro irmãs.

Foi considerado de muita sorte, quando deixou a escola e conseguiu um emprego na indústria de algodão. Essa indústria estava em franco progresso e Liverpool era o centro de importação para os teares de Lancashire. Conseguir um emprego nesta indústria significava estar estabelecido para toda a vida.

Como menino de amostras, Jim recebia seis shillings por semana. Tinha de descobrir prováveis compradores de algodão e apresentar-lhes as amostras do artigo que lhes podeira interessar. A firma Hannay importava o algodão, separava-o, classificava-o e então vendia para as fábricas de tecidos.

Jim se desincumbiu muito bem no cargo e, aos vinte e oito anos, foi promovido a vendedor de algodão. Isso foi considerado um grande sucesso para um rapaz comum. Geralmente, os vendedores de algodão pertenciam à classe média. Jim foi sempre um rapaz simples e ativo, com um sorriso aberto e simpático.

Quando conseguiu essa grande promoção, deram-lhe um salário de 250 libras por ano. Salário não muito grande, mas bastante razoável. Jim era muito moço para a Primeira Guerra Mundial e muito velho para a Segunda, e com audição num só ouvido - ele teve um tímpano perfurado quando, aos dez anos de idade, caiu de um muro - por isso, não foi convocado. Contudo, era capaz de realizar algum tipo de trabalho durante a guerra. Quando o Mercado do algodão fechou, foi mandado, por esse motivo, para as fábricas de Napiers.

Em 1941, aos trinta e nove anos, Jim se casou. O casal mudou-se para quartos mobiliados, em Anfield. Quando Paul nasceu, ele trabalhava, durante o dia, em Napiers, e de noite, como bombeiro. Como sua esposa havia trabalhado no hospital, ele podia visitá-la quando bem entendia, não estando sujeito às horas de visita.

"Ele tinha uma aparência horrível, eu não podia suportar isso. Tinha só um dos olhos abertos e chorava o tempo todo. Eles o levantaram e ele parecia m pedaço horroroso de carne vermelha. Quando cheguei  em casa chorei, pela primeira vez, em muitos anos."

Apesar do trabalho médico de sua esposa, ele nunca teve doença de qualquer espécie. O cheiro de hospitais o fazia ficar nervoso, medo que Paul herdou dele. 

"Contudo, no dia seguinte, ele parecia mais humano. E, cada dia que passava, suas feições melhoravam. Afinal, ele se formou um lindo bebê."


Paul McCartney com o seu pai, Jim McCartney.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Eleanor Rigby


Eleanor Rigby é a 2ª faixa do álbum "Revolver" dos Beatles, lançado em 1966.

Texto: Steve Turner

Assim como aconteceu com muitas canções de Paul, a melodia e as primeiras palavras de "Eleanor Rigby" surgiram enquanto ele tocava piano. Ao se perguntar que tipo de pessoa ficaria recolhendo arroz em uma igreja depois de um casamento, ele acabou sendo levado à sua protagonista. Ela originalmente se chamaria Miss Daisy Hawkins, porque o nome encaixava no ritmo da música.

Paul começou imaginando Daisy como uma jovem, mas logo percebeu que qualquer uma que limpasse igrejas depois dos casamentos provavelmente seria mais velha. Se ela era mais velha, talvez fosse uma solteirona, e a limpeza da igreja se tornou uma metáfora para suas oportunidades de casamento perdidas. Então ele a baseou em suas lembranças das pessoas mais velhas que conheceu quando era escoteiro em Liverpool.

Paul continuou a pensar sobre a música, mas não estava confortável com o nome Miss Daisy Hawkins. Não seria suficientemente "real". O cantor de folk dos anos 1960 Donovan lembra que Paul tocou para ele uma versão da música em que a protagonista se chamava Ola Na Tungee. "A letra ainda não estava terminada para ele", conta Donovan.

Ele sempre dizia que optou pelo nome Eleanor por causa de Eleanor Bron, atriz principal de Help!. O compositor Lionel Bart, porém, estava convencido de que a escolha tinha sido inspirada por uma lápide que Paul viu no Putney Vale Cemetery em Londres. "O nome na lápide era Eleanor Bygraves", conta Bart, "e Paul achou que se encaixaria na música. Ele voltou para o meu escritório e começou a tocá-la no clavicórdio.

O sobrenome surgiu quando Paul deparou com o nome Rigby em Bristol em janeiro de 1966, durante uma visita a Jane Asher, que estava fazendo o papel de Barbara Cahoun em "The Happiest Days Of Your Life", de John Dighton. O Theatre Royal, casa do Bristol Old Vic, fica no número 35 da King Street e, enquanto Paul esperava Jane terminar o trabalho, passou por Rigby & Evens Ltd., Wine & Spirit Shippers, que ficava do outro lado da rua, no número 22. Era o sobrenome de duas sílabas que ele estava procurando para combinar com Eleanor.

A música foi concluída em Kenwood quando John, George, Ringo e o amigo de infância de John, Pete Shotton, se reuniram em uma sala cheia de instrumentos. Cada um contribuiu com ideias para dar substância à história. Um sugeriu um velho revirando latas de lixo com quem Eleanor Rigby pudesse ter um romance, mas ficou decidido que complicaria a história. Um padre chamado "Father McCartney" foi criado. Ringo sugeriu que ele poderia estar cerzindo as próprias meias, e Paul gostou da ideia. George trouxe a parte sobre "as pessoas solitárias". Paul achou que deveria mudar o nome do padre porque as pessoas pensariam se tratar de uma referência ao seu pai. Uma olhada na lista telefônica trouxe "Father Mckenzie" como alternativa.

Depois, Paul ficou tentando pensar em um final para a história, e Shotton sugeriu que ele unisse duas pessoas solitárias no verso final, quando "Father Mckenzie" conduz o funeral de Eleanor Rigby e fica ao lado de seu túmulo. A ideia foi desconsiderada por John, que achava que Shotton não tinha entendido a questão, mas Paul, sem dizer nada na época usou a cena para terminar a música e reconheceu mais tarde a ajuda recebida.

Espantosamente, em algum momento da década de 1980 a lápide de uma Eleanor Rigby foi encontrada no cemitério de St. Peter's, Woolton, a menos de um metro de onde John e Paul tinham se conhecido no festival anual de verão, em 1957. Está claro que Paul não tirou sua ideia diretamente dessa lápide, mas é possível que ele a tenha visto na adolescência, e o som agradável do nome tenha ficado em seu inconsciente até vir À tona pelas necessidades da canção. Na época ele afirmou: "Eu estava procurando um nome que parecesse natural. Eleanor Rigby soava natural".

Em mais uma coincidência, a empresa Rigby & Evens Ltd, cuja placa havia inspirado Paul em Bristol, em 1966, pertencia a um conterrâneo de Liverpool. Frank Rigby, que estabeleceu sua companhia na Dale Street, Liverpool, no século XIX.

Como single, "Eleanor Rigby" chegou ao topo da parada de sucessos britânica, mas seu auge nos EUA foi o 11º lugar.

Escute a música - Eleanor Rigby: http://www.youtube.com/watch?v=-LOgMWbDGPA

domingo, 17 de junho de 2012

O Olhar de Antanas Sutkus



"Maratona na rua da Universidade". Vilnius, 1959

Fonte: "Um Olhar Livre"
Catálogo do Museu Oscar Niemeyer.
Antanas Sutkus

Nesse Blog há mais informações 
Sobre o Fotógrafo Antanas Sutkus
Data de 10 de fevereiro de 2012

...

Quais são os seus fotógrafos favoritos? Quais são as suas influências?

Eu tenho uma grande biblioteca de fotógrafos mundialmente famosos. Eu me interesso pelas suas ideias, pelas suas formas de expressão. Eu aprecio os trabalhos de Henri Cartier-Bresson, Andre Kertesz, Robert Doisneau, Robert Frank, Garry Winogrand, Lee Friedlander, Arnold Newman, Annie Leibowitz, Diane Arbus, Mary Ellen Mark. Livros que eu recebo da Alemanha, Polônia e comprados em sebos em Moscou e São Petersburgo. Comprei o livro "Family of Man" de Edward Steinchen muito cedo. Era muito importante para mim que a fotografia pudesse influenciar da mesma forma que a literatura. A exposição de Paul Strand, que eu vi durante um das minhas primeiras viagens ao exterior me deixaram uma grande impressão.
Entretanto, a fotografia não teve nenhuma grande influência no meu próprio estilo fotográfico. Na época em que eu comecei a seguir os eventos de fotografia no munto, eu já havia descoberto a minha personalidade.

A literatura e as outras artes exercem também grande influência no seu trabalho? A sua fotografia "Melodia da Solidão" transpõem a esfera fotográfica, soando através do papel uma triste melodia ... Qual a importância das outras artes no seu trabalho e de que forma esta importância se manifesta?

Os meus primeiros professores foram escritores como Camus, Kafka, Kerouac, Faulkner, Sallinger, Marquez, Kobo Abe, Dostoievski, Bulgakov. A tuberculose contribuiu muito para a minha educação, pois eu podia ler livros durante dezesseis horas por dia no hospital. O cinema também me influenciou: Bergman, Antonioni, Buñuel ... Os diversos impulsos artísticos são essenciais para o trabalho com arte. A arte me ajuda a compreender os problemas do homem. A música com certeza é a arte que mais profundamente penetra na alma, e eu a chamo de conversa divina.

(...)

Qual a relação que você cultiva com os personagens das suas fotografias? Quando você olha para as suas próprias fotografias, você os sente próximos, ou como Federico Fellini, você guarda uma distância em relação às suas fotos?

Eu não sinto nenhuma distância, ao contrário, os meus "heróis" me são, às vezes, até mesmo mais próximos do que os meus familiares. Eles me fazem lembrar e eu os amo. Há muito tempo eu aprendi que para fotografar é necessário amar as pessoas e a vida. Sem amor, a fotografia é impossível.

...

quinta-feira, 7 de junho de 2012



WOODY GUTHRIE

"Odeio canções que fazem com que você pense que não tem nada de bom. Odeio canções que fazem pensar que nascemos para perder. Que somos fadados a perder. Bons para ninguém. Bons para nada. Porque você é muito velho ou muito jovem ou muito gordo ou muito magro ou muito feio para fazer isso ou aquilo. Canções que nos botam para baixo ou canções que desdenham da nossa falta de sorte ou de nossos caminhos difíceis. Levanto-me para combater esse tipo de canção até meu último suspiro ou a última gota de sangue. Levanto-me para cantar músicas que provem que esse é seu mundo e que se ele o atingiu com força e o jogou no chão uma dúzia de vezes, não importa a força com que ele o jogue no chão ou passe por cima de você, não importa sua cor, sua altura ou sua constituição física, levanto-me para cantar músicas que o façam sentir orgulho de si mesmo e de seu trabalho. E as músicas que eu canto são feitas, na maior parte, por gente de todo tipo, assim como você."

GUTHRIE, Woody. Born to Win (Nova York: Macmillan, 1965), pág. 223 (c) 1965 The Guthrie Children's Trust Fund. Escrito em 3 de dezembro de 1944.

terça-feira, 15 de maio de 2012

VAZIO


Foto - Danilo Dal Molin Lopes

Texto - Edson Liberato

Não há menor possibilidade de transmitirmos tudo o que pensamos, sentimos e vivemos em palavras.
Não há nada que seja certo ou errado, o que existe é a vida e os nossos julgamentos que a limitam.
O homem que não podia voar já chegou a lua.
Limite?
A lua que era dos românticos foi conquistada por astronautas militares.
Sentido?
Sabemos que a lua nunca pertenceu a ninguém.
Quem a conquistou não fomos eu e você.
Ela não existe por nossa causa.
E quando não estivermos mais aqui.
Ela vai continuar inspirando tolos poetas românticos.

Pessoas vivem o seu cotidiano como fosse algo enfadonho e esquecem de ver a beleza nos detalhes.
Pessoas vivem o seu cotidiano como se a resposta fosse encontrada no futuro.
Pessoas vivem o seu cotidiano pensando naquilo que se perdeu no passado.
Pessoas só pensam no presente, e esquecem o passado, e não pensam no futuro.
Esses dias atrás eu li de algum pensador que a maior invenção do homem é o tempo.
Alguns se sentem velhos demais na sua juventude,
Outros se sentem jovens demais na sua velhice.
E quem sou eu para julgar o que as pessoas sentem, falam, pensam, ou fazem.

Simples divagações que não nos levam a nenhum lugar.
Será que existe, ou será que um dia já existiu um lugar para ir?
John Lennon falou certa vez que ele já esteve em todos os lugares e só foi se encontrar nele mesmo.
John Lennon compôs uma música que dizia que não acreditava em mais nada, a não ser no amor.
Será que precisamos acreditar em algo?
Será que existem respostas?

Talvez se a lua fosse ocupada pelos românticos, eles a tivessem destruído, assim como fazem com o amor.
Mas é claro que a razão não é a resposta. Ela não dá o conforto de um lindo sorriso inesperado.
Nem tudo a ciência consegue explicar perfeitamente.
O Amor, a Paixão ...
Existem apenas, assim como a vida.
Então a vida não tem sentido?
Então a vida precisa de um sentido?
Ninguém consegue explicar como chegamos até aqui.
Ninguém diz qual que é o caminho.
Eu sei que não existe destino.
Não me diga o que eu devo fazer.
Não quero saber de verdades.
Não minta para mim.
Não minta para você.
Em certos momentos tudo o que temos nos parece nada.
Em certos momentos o nada parece tudo ...

Mas todo o silêncio é rompido pelo piano de Tom Waits
E todo o frio que sinto parece que vai demorar para sumir.
Talvez tudo seja só impressão.
Não há respostas,
Não há sentido,
E essa noite eu não quero me perder
Essa noite eu não sei mais o que é possível, ou impossível, ou sei lá o que.
Essa noite, somente essa noite.
Eu não vou procurar respostas
Somente essa noite
Eu não quero saber.



quarta-feira, 9 de maio de 2012

"COMO UMA PEDRA QUE ROLA"


Essa foto foi tirada no estúdio A, da gravadora Columbia Records,
quando Bob Dylan trabalhava nas gravações de Like a Rolling Stone,
em 1965.


ERA UMA VEZ UMA GAROTA BEM-VESTIDA
QUE JOGAVA UM TOSTÃO PARA OS VAGABUNDOS QUANDO ESTAVA POR CIMA
NÃO JOGAVA?
O PESSOAL DIZIA: PEGA LEVE, BONECA, VOCÊ VAI QUEBRAR,
VOCÊ ACHAVA QUE ESTAVAM
PEGANDO NO SEU PÉ
VOCÊ RIA NA CARA
DE QUEM ESTAVA NA RUA
AGORA JÁ NÃO FALA TÃO ALTO
AGORA NÃO PARECE TÃO EXIBIDA
TENDO QUE SE VIRAR
PARA ARRANJAR COMIDA

COMO VOCÊ SE SENTE?
COMO VOCÊ SE SENTE
SEM TER CASA
COMO UMA COMPLETA DESCONHECIDA
COMO UMA PEDRA QUE ROLA?

AH, VOCÊ
FREQUENTOU AS MELHORES ESCOLAS
MUITO BEM, SENHORITA SOLITÁRIA
MAS VOCÊ SABE QUE SÓ ENCHIA A CARA LÁ
NINGUÉM NUNCA A ENSINOU A VIVER NA RUA
E AGORA VOCÊ DESCOBRIU
QUE VAI TER QUE SE ACOSTUMAR COM ISSO
VOCÊ DIZIA QUE NUNCA
IA SE COMPROMETER
COM O VAGABUNDO MISTERIOSO, MAS AGORA PERCEBE
QUE ELE NÃO TEM ÁLIBIS PARA VENDER
ENQUANTO ENCARA O VAZIO DOS OLHOS DELE
E PERGUNTA:
"QUER FAZER UM TRATO?"

COMO VOCÊ SE SENTE?
COMO VOCÊ SE SENTE
SÓ COM VOCÊ MESMA
SEM TER CASA PARA ONDE IR
COMO UMA COMPLETA DESCONHECIDA
COMO UMA PEDRA QUE ROLA?

AH, VOCÊ
NÃO ESTAVA NEM AÍ PROS MALABARISTAS
E PALHAÇOS QUE FRANZIAM A TESTA
QUADO SE REBAIXAVAM
FAZENDO TRUQUES PRA VOCÊ
NUNCA ENTENDEU QUE NÃO ERA LEGAL
DEIXAR OS OUTROS
LEVAREM
PONTAPÉS POR VOCÊ
VOCÊ COSTUMAVA DAR UMAS VOLTAS NO CAVALO CROMADO COM O SEU
DIPLOMATA
QUE LEVAVA NO OMBRO UM
GATO SIAMÊS
NÃO FOI DURO DESCOBRIR
QUE ELE NÃO ESTAVA COM NADA
DEPOIS QUE ELE LHE TOMOU TUDO O QUE PODIA?

COMO VOCÊ SE SENTE?
COMO VOCÊ SE SENTE
SÓ COM VOCÊ MESMA?
SEM CASA PARA ONDE IR
COMO UMA COMPLETA DESCONHECIDA
COMO UMA PEDRA QUE ROLA?

AH
A PRINCESA NA TORRE
E TODOS OS ALMOFADINHAS
ESTÃO BEBENDO, ACHANDO QUE SE
DERAM BEM
TROCANDO TODOS ESSES PRESENTES LEGAIS
MAS É MELHOR
TIRAR SEU ANEL DE DIAMANTES, GAROTA,
MELHOR BOTAR ELE NO PREGO, BABY
VOCÊ COSTUMAVA
DEBOCHAR
DO NAPOLEÃO ESFARRAPADO
E DA GÍRIA QUE ELE USAVA
VÁ PROCURÁ-LO AGORA, ELE ESTÁ CHAMANDO VOCÊ E VOCÊ NÃO PODE RECUSAR
QUANDO VOCÊ NÃO TEM NADA,
NÃO TEM NADA A PERDER
VOCÊ ESTA INVISÍVEL AGORA, SEM SEGREDOS PARA ESCONDER

COMO VOCÊ SE SENTE?
COMO VOCÊ SE SENTE
SÓ COM VOCÊ MESMA?
SEM CASA PARA ONDE IR
COMO UMA COMPLETA DESCONHECIDA
COMO UMA PEDRA QUE ROLA?

LIKE A ROLLING STONE - http://www.youtube.com/watch?v=LmY30_DjMYo

terça-feira, 8 de maio de 2012

C'est La Vie ...

Arthur Dapieve - É manhã. Vocês estão com a cabeça descansada. Pensei em tratar do tema morte, da ideia de finitude, da experiência da passagem do tempo. Vocês provavelmente leram "O Outono do Patriarca", do García Márquez. Ao final do livro, o ditador de algo entre 107 e 232 anos reflete que mesmo as vidas mais longas e produtivas não servem para nada além de aprender a viver. Vocês acham que é isso? Ou aprende-se alguma outra coisa com a vida? Uma vida longa e produtiva como a de vocês

Zuenir Ventura (risos) - Luis Fernando, pergunta difícil é para você.

Luís Fernando Veríssimo - A lição maior, à qual eu acho que a gente resiste, é ver o absurdo da vida. Tudo isto pra quê? Pra nada, né. Agora, tudo isso tem seu valor. Mas, como lição de chegar a uma filosofia no fim da vida sobre a vida, eu acho que não seve para muita coisa, não. Sei que é uma atitude meio niilista, mas é o que eu acho. A morte é o fim de tudo, não fica nem memória, pra gente não fica memória, não tem outra vida, não tem nenhuma consequência de ter vivido de um jeito ou de outro. Então, eu acho que  a lição da vida é o absurdo da vida. Mas é uma lição à qual a gente deve resistir, não se deve sucumbir a ela. Acho que é o Camus que diz que a única questão filosófica séria é o suicídio. Quer dizer, o suicídio é quando você se dá conta do absurdo de tudo. Então, a gente deve resistir a este "se dar conta do absurdo da vida" E viver como se a vida tivesse sentido, e você eventualmente vai levar um tipo de sabedoria, um tipo de consequência, um tipo de recompensa, vamos dizer assim.

Zuenir Ventura - O próprio suicida, o próprio Camus tem a metáfora do Sísifo.

Luis Fernando Verissimo - É. A vida está sempre levando a pedra até lá em cima, e a pedra volta rolando.

Arthur Dapieve - Ele fala do absurdo e do suicídio o tempo todo. Mas no final vem um golpe, porque ele escreve: "É preciso imaginar Sísifo feliz." É a última frase do livro. Uma solução Deus ex machina para a vida, ele decide.

Luis Fernando Verissimo - Exatamente.

Zuenir Ventura - Eu acho que é exatamente o que o Luis Fernando disse. Agora, engraçado, essa coisa não me angustia como eu acho que o angustia. Quer dizer, a gente pensa muito na finalidade, na vida como um fim. Eu acho que a gente esquece que o importante é o caminho, o meio. O que mais me preocupa, preocupa não, o que me interessa é realmente esse caminho. Eu não me coloco "o que vai ser depois", "o que será da minha vida?" Porque eu acho que o que irrompe no aqui e agora é que é realmente fundamental. Eu disse que a minha grande angústia é o sofrimento, não a morte. Agora, a morte, como disse seu amigo ...

Arthur Dapieve - ... a morte não existe pra gente.

Zuenir Ventura - ... não existe pra gente. Como eu não acredito no além, nessas coisas ... Seria terrível, você do outro lado olhando o que você perdeu. Olhando pra cá e dizendo:"pô, tô perdendo esta festa, tô saindo no meio da festa."

Arthur Dapieve -  Ao menos temporariamente. Por que se você fosse pra lá, os outros também iriam pra lá. E aí, de repente.

Zuenir Ventura - Não me aflige essa coisa do sentido da vida, esse enigma que a gente não consegue decifrar, que é o absurdo. Que é realmente o absurdo. Mas eu acho que o Camus acaba resolvendo dessa maneira poética, linda, de que ao mesmo tempo é preciso imaginar o Sísifo feliz - quer dizer, carregando pedras, sem sentido, aquela coisa. Enfim, não é uma questão existencial, metafísica, pra mim não. não mesmo.

Luis Fernando Verissimo - Eu acho que no fundo ninguém acredita completamente que vai morrer, que vai desaparecer.

Arthur Dapieve - É algo inconcebível.

(...)

Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura
Conversa sobre o tempo
com Arthur Dapieve




segunda-feira, 7 de maio de 2012



nando reis - n   http://www.youtube.com/watch?v=Y_kKb8uaESc


e agora, o que vou fazer
se os seus lábios ainda
estão molhando
os lábios meus?
e as lágrimas não secaram
com o Sol que fez?


e agora, como posso te esquecer
se o seu cheiro ainda
está no travesseiro?
e o seu cabelo está enrolado
no meu peito?


espero que o tempo passe
espero que a semana acabe
pra que eu possa te ver de novo


espero que o tempo voe
para que você retorne
pra que eu possa te abraçar
e te beijar
de novo

e agora, como eu passo sem te ver?
se o seu nome está gravado no
meu braço como um selo?
nossos nomes que tem o N
como um elo


e agora, como posso te perder?
se o teu corpo ainda guarda o
meu prazer?
e o meu corpo está moldado
com o teu?

domingo, 6 de maio de 2012

A Vida É Um Belo Passeio ...





In My Life (Lennon/ McCartney)

Há Lugares dos quais vou me lembrar
por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado
Alguns para sempre, e não para melhor
Alguns já nem existem, outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos dos quais ainda posso me lembrar
Alguns já se foram, outros ainda vivem
Em minha vida, amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não há ninguém que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes.
Eu sei que com frequência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto
por pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que com frequência eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida  eu amo mais a você
Em minha vida ... eu amo mais a você

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Carta de Jorge Amado para Pilar e José Saramago

Fonte:
Ministério da Cultura do Estado de São Paulo
Museu da Língua Portuguesa
Fundação Casa de Jorge Amado.




Para Pilar e José Saramago
fax: (34-28) 510-299

Salvador, 19 de junho de 1993.
  
                                      Queridos Pilar e José,



Estava eu hoje ditando a Paloma um fax para vocês quando recebi o vosso. Muito obrigado.

Estou bem, em plena recuperação há um mês do infarte.

Somente agora os médicos permitem-me retornar à correspondência. Aqui agradeço, de todo o coração vossos faxes de hoje e de 18 de maio, assim como a carta de José datada de 9 de maio, que tanto me honrou e comoveu.
                                      

Infelizmente  os médicos não me liberaram para comparecer à reunião da Academia Universal das Culturas, que se realizará em Paris a 29 deste mês. Escrevi a meu amigo Yashar Khemal, também membro da Academia, pedindo-lhe que zelasse pelas candidaturas que indiquei - a de Oscar Niemeyer, a de José e a de Ernesto Sabato - às quais acrescentei a de Jack Lang no momento em que ele deixou de ser ministro de Cultura da França.

 Logo que esteja liberado viajarei para Paris, passando por Portugal. Gostaria de saber vosso calendário para o mês de julho.

Zélia, assim como meus filhos Paloma e João, juntam-se a mim num beijo para Pilar  e num abraço afetuoso para José.


Vosso




Jorge Amado